Coluna do Dentista

Artigo

Modelos para confecção de próteses parciais removíveis

Plínio Marcos Modaffore* 

O hidrocolóide irreversível, alginato, é um material de moldagem bastante conhecido na área odontológica, sendo o mais utilizado para obtenção de modelos de trabalho que servirão para confecção da armação metálica da PPR. Apesar disso, poucos cirurgiões-dentistas sabem manuseá-lo adequadamente durante a moldagem, no tratamento de superfície do molde, até a obtenção final do modelo. Faremos então uma breve descrição das características deste material e demonstraremos como utilizá-lo com os devidos cuidados, obtendo como resultado um modelo com superfície lisa e com grande fidelidade de reprodução anatômica. 

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MATERIAL 

Vantagens do alginato: 

- fácil manipulação; 
- baixo custo; 
- hidrofílico; 
- de fácil limpeza; 
- permite fácil controle no tempo de trabalho mediante a variação da temperatura da água. 

Desvantagens do alginato

- é crítico quanto à estabilidade dimensional; 
- possui pouca retenção em moldeiras não perfuradas podendo levar a distorções significativas. 

MOLDAGEM 

A figura 01 ilustra a seleção da moldeira, devendo preferencialmente ser usada a com perfurações de 2mm de diâmetro e 2mm de intervalo, idealizada por FUSAYAMA & NAKAZATO (1969) para as moldagens com alginato. 

 
Fig.1

A moldeira deve ser individualizada com cera utilidade nas regiões de palato, fundo de saco e nos casos de extremidade livre também na região desdentada: com godiva, cera ou silicona pesada para que a moldagem tenha maior fidelidade. Para obter medidas mais precisas, a lata de alginato deve ser agitada para homogeneizar o pó, cujos componentes têm diferentes densidades, devendo a proporção água/pó ser rigorosamente seguida de acordo com as especificações do fabricante, utilizando-se os medidores (figura 02). 

 
Fig.2

O profissional nunca deve alterar a proporção no intuito de modificar o tempo de geleificação. Uma menor quantidade de água não permite que o pó reaja adequadamente, trazendo instabilidade dimensional e menor reprodução de detalhes; maior quantidade de água faz com que as fibras coloidais fiquem dispersas em uma área maior, provocando seu afastamento e o conseqüente enfraquecimento da estrutura do gel. 

A diminuição da temperatura da água é a única forma de aumentar o tempo de trabalho. A cada grau que se diminui na temperatura, aumenta-se em cerca de 6 segundos o tempo de trabalho. 

O tempo de manipulação deve seguir as recomendações do fabricante, sendo em geral de 45 segundos. A espatulação pode ser manual ou mecânica (que produz misturas mais uniformes, sem bolhas e mais consistentes). A espatulação mais utilizada é a manual. Coloca-se primeiro a água, previamente medida, em uma cuba de borracha limpa e seca. Idealmente a cuba de borracha utilizada para o alginato não deve ser usada para o gesso, impedindo que partículas de alginato alterem as propriedades do gesso e vice-versa. 

Adiciona-se a quantidade correta de pó. Espatula-se rapidamente, amassando contra as paredes da cuba de borracha com uma espátula rígida (figura 03). Após obter uma mistura homogênea e cremosa, preenche-se a moldeira perfurada, previamente individualizada. 

 
Fig.3

O alginato após acomodação na moldeira pode se alisado com dedo calçado com luva úmida, chamada de técnica de superfície úmida. Esta técnica não altera as propriedades físicas e químicas do material e promove uma menor incorporação de bolhas de ar superficiais (LIM et al., 1995). 

O paciente deve estar em posição vertical, com os arcos a serem moldados paralelos ao solo, estando o antebraço do cirurgião-dentista na altura do arco a ser moldado. 

Devido à baixa temperatura que o alginato é levado à boca, ocorre aumento de tensão superficial da saliva, que dificulta o escoamento do alginato. Para evitar que se formem bolhas de ar nas áreas retentivas, secam-se os dentes, aplicando-se alginato com os dedos ou uma seringa. 

A introdução da moldeira é feita diagonalmente, sendo então centralizada. O cabo da moldeira deve coincidir com a linha mediana do paciente. O aprofundamento da moldeira no arco superior deve ser feito, de trás para frente para diminuir a quantidade de alginato escoado em direção ao palato mole. Ao atingir a posição final, a moldeira deverá ser mantida o mais estática possível porque a geleificação ocorre em sentido centrífugo, ou seja, dos tecidos em direção a moldeira, devido à maior temperatura da mucosa. Qualquer movimento da moldeira antes da geleificação completa produzirá ruptura nas fibrilas coloidais, criando tensões que se traduzirão em alterações dimensionais. A moldeira deve ser mantida em posição por, pelo menos 4 minutos para assegurar a geleificação total do alginato. 

A remoção da moldeira é feita cuidadosamente, com pequenos movimentos para evitar a indução de tensões ou o deslocamento do molde. Após removê-la da boca, examina-se o molde cuidadosamente à procura de imperfeições ou bolhas de ar que possam inutilizá-lo. 

 


O molde é lavado em água corrente (figura 04). No molde inferior é confeccionada uma língua de alginato (figura 05) que então passa por uma desinfecção. Para os hidrocolóides a técnica mais recomendada para desinfecção é borrifar hipoclorito de sódio 0,5% ou glutaraldeído 2% (figura 06), deixando-o na cuba umidificadora (uma caixa plástica de tamanho médio com tampa e esponjas de uso doméstico) por 10 minutos (figura 07). 

 
Fig.4 

 
Fig.5 

 
Fig.6 

 
Fig.7 

O vazamento do molde com gesso deve ser feito o mais rápido possível, após a recuperação elástica (os 10 minutos utilizados para desinfecção), porque o material pode sofrer alterações dimensionais denominadas embebição evaporação

sendo então inadequadas, precárias e enganosas atitudes como manter o molde coberto com um guardanapo ou algodão embebido em água. Entretanto, se o modelo não puder ser obtido imediatamente, o alginato fica mais estável quando o molde é armazenado em recipiente com umidade relativa de 100% (a cuba umidificadora já citada). 

Outro fenômeno que ocorre com os hidrocolóides irreversíveis é a sinérese, processo onde aflora do interior do gel um exsudato salino que interfere com a velocidade de presa do gesso, retardando-o. A quantidade de água para a cristalização do gesso mais superficial será insuficiente, proporcionando uma superfície porosa pouco resistente. O banho por 3 minutos em sulfato de potássio 2% e posteriormente em água gessada controlam a sinérise (figuras 08 e 09). 

 
Fig.8


 
Fig.9
OBTENÇÃO DO MODELO 

Segue-se a cuidadosa secagem do molde com pequenas bolinhas ou cones de papel absorvente e suaves jatos de ar. O gesso especial deve ser cuidadosamente proporcionado (peso/volume) e manipulado. Coloca-se primeiro a água na cuba de borracha, adicionando o pó em seguida. Espatula-se rigorosamente por um minuto, contra as paredes do gral. 

Com uma espátula pequena adiciona-se primeiramente o gesso na região distal do molde, a fim de que esta primeira porção do material seja vibrada ao longo do arco, dente a dente, até a parte anterior do molde. Continue a adicionar pequenas porções de gesso na mesma área para impedir o aprisionamento de ar. Preencha o molde com pequenas quantidades para que o peso do gesso não cause deformações. 

Aguarde a presa inicial desta camada de gesso (perda de brilho), conservando o conjunto molde-modelo em cuba umidificadora. Só depois da presa inicial desta primeira camada (figura 10) é que o modelo será completado, formando uma base com 2,5 centímetros de altura, importante para as fases de delineamento e duplicação. 

 
Fig.10


Após 45 minutos, separa-se o conjunto molde-modelo, que não deve ser manipulado antes de 24 horas e nem ser lavado em água corrente (figura 11).
 
Fig.11


As figuras 12, 13 e 14 ilustram modelos de trabalho para confecção de PPRs, obtidos segundo os cuidados técnicos citados. 

 
Fig.12


 
Fig.13


 
Fig.14

» Referências

MOLDAGENS COM ALGINATO – TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE E USO RACIONAL DA CUBA UMIDIFICADORA. 
Autores: Cristiane Ueda & Plínio Marcos Modaffore. 
Publicado na Revista Brasileira de Prótese Clínica & Laboratorial - PCL, v. 3, n.16, p.511-518, 2001. 

*PLÍNIO MARCOS MODAFFORE 
  • Cirurgião-dentista graduado pela UNESP/SJCampos
  •  
  • Mestre pela FO-USP
  • Ministrador de cursos na EAP/APCD/Central
  • Membro do Grupo de Reciclagem em Prótese Dentária/GRPD 


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